Notícias » Notícias Desculpas não curam minha dor, diz garoto baleado em jogo

Menino perdeu a visão do olho direito após confronto entre torcidas em BH
26 de setembro de 2009
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Baleado com um tiro de borracha depois do jogo entre Cruzeiro e Palmeiras, em Belo Horizonte (MG), o estudante Douglas Henrique Marinho de Oliveira, 13 anos, recebeu alta do hospital no final da tarde desta sexta-feira. Em entrevista ao Terra, ele resumiu em uma frase o seu sentimento após o incidente, que o deixou cego de um olho. "Estou triste e com muita raiva", disse.

O garoto ficou internado durante dois dias no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na capital mineira, depois de ter sido atingido pelo tiro no olho direito, na noite da última quarta-feira. Segundo o hospital, Douglas perdeu a visão porque globo ocular ficou destruído e teve de ser retirado.

O disparo teria sido efetuado por um policial militar que tentava controlar uma confusão envolvendo torcedores cruzeirenses e palmeirenses que deixavam o Mineirão. Era a primeira vez que o estudante assistia a uma partida de futebol no estádio, acompanhado pelo padrasto, Vilmar Antônio dos Santos, que foi atingido com um tiro de bala de borracha na barriga.

"A gente estava indo embora quando a Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, saiu e teve a briga. Eu me joguei no chão, depois só lembro que eu estava no hospital. Estou com raiva deles (policiais). Tem tanto malandro que vive fazendo gracinha eles não atiram, vão atirar logo em mim, que fui pra divertir?", questionou Douglas. O garoto precisará usar uma prótese no olho atingido, orçada em mais de R$ 3 mil. "Um dos policiais tentou entrar no hospital para pedir desculpas. Desculpas não vão sarar minha dor", disse.

"Está todo mundo chocado, revoltado. Na semana que vem, ele (o policial) está de volta ao trabalho e meu filho cego", afirmou a mãe de Douglas, a dona de casa Vera Lúcia Marinho. "O meu marido levou um tiro na barriga, mas está bem. Foi liberado do mesmo dia do hospital. Meu filho, nem Deus agora. Ele terá que passar por um psicólogo, ter muito apoio, porque ele está muito triste," disse.

PM responde inquérito interno
O policial que teria efetuado o disparo foi identificado e encaminhado para trabalho administrativo em um quartel. A arma que ele utilizava foi recolhida para perícia. O militar vai responder a um inquérito interno, de acordo com a PM.

O comandante do Policiamento de Eventos da Polícia Militar, coronel Sandro Teatini, explicou que os policiais tentavam controlar um confronto entre torcidas organizadas e que as vítimas, padrasto e enteado, estavam na linha de tiro. "Para dispersar esse grupo que atirava pedras foram utilizados equipamentos previstos para o processo de dispersão. Neste momento, apareceu o senhor gritando dizendo havia uma criança ferida. Imediatamente foi providenciado o socorro", afirmou.

Teatini nega que tenha havido falhas por parte dos policiais no momento do confronto. O militar responsabilizou as maiores torcidas organizadas de Cruzeiro e também do rival Atlético pela confusão. "Desde a segunda-feira que estávamos com informações de que haveria a possibilidade de confrontos. A própria torcida do Atlético, a Galoucura, havia se disponibilizado para engrossar a torcida do Palmeiras," informou Teatini.

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